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Opinião de Malaquias

Viaje com o Rock Espacial do Tangerine Dream

Claudio Weber Abramo

Rock Espacial. Talvez seja essa a melhor definição para a música do Tangerine Dream produzida nos primeiros anos da década de 1970. Não é à toa que um dos seus melhores discos tem o nome de Alpha Centauri (1971). Banda alemã formada pelo tecladista Edgar Froese, em 1967, em Berlim, a partir de 1970 produziu vários discos de vanguarda da música eletrônica. A audição das músicas nos leva a viajar pelo cosmos a bordo de uma nave espacial.

Os músicos do Tangerine Dream utilizaram em sua primeira fase (1970/1973) muitos teclados e efeitos sonoros, realizando verdadiro disco da banda, Electronic Meditatieiras “sinfonias eletrônicas espaciais”. O primeon, é de 1970. Mas é a partir do ano seguinte que eles produziram os melhores disco do Space Rock.

Alpha Centauri tem a participação, além de Froese, de Chris Franke (bateria) e Steve Schroyder (teclados). Tem um som hipnótico, climático, com a utilização de vários instrumentos eletrônicos. O som parece que não muda. Mas muda. É que as músicas são longas e as variações são lentas.

Em 1972, o Tangerine Dream lançou o disco Zeit. Também cósmico, Zeit é sinistro. É perturbador. Os teclados chegam a uma espécie de transe, conseguido por meio de alternâncias de som. No ano seguinte a banda lançou Atem. O disco apresenta sons naturais, atmosféricos, “tribais”, como dizem alguns. Atem encerra a primeira fase do Tangerine Dream.

A segunda é iniciada com o disco Phaedra, de 1974, apontado como obra-prima do grupo pela crítica especializada. O disco é citado no livro 1.001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer, organizado por Robert Dimery e Michael Lydon. Embora ainda produzindo longas suítes, a sonoridade da banda continua experimental, mas tornou-se mais acessível. Além de Phaedra, foram editados vários discos nessa segunda fase, que acaba em 1982. Rubycon (1975), Stratosfear (1976), Cyclone (1978) e Force Majeure (1979) são alguns deles e têm alta qualidade e também fazem o ouvinte viajar.

A partir de 1983 o grupo segue numa linha mais comercial, bastante distante do Space Rock e da segunda fase da banda, mas é possível encontrar muita coisa boa entre os discos. A banda também possui uma discografia em trilhas sonoras, com cerca de 20 títulos. Uma característica do Tangerine Dream é constante troca de membros da banda. Somente Froese manteve-se no grupo, que ainda está na ativa. Froese tem ótimos discos-solo. Os principais são Aqua (1974) e Epsilon in Malaysian Pale (1975).

Mais informações (e bota informação nisso) podem ser encontradas no site www.progarchives.com. Os discos (em LP ou CD) podem ser comprados na Galeria do Rock e na Galeria que fica entre as ruas Sete de Abril e a Barão de Itapetininga, na região central de São Paulo.

Rogério Malaquias é jornalista free-lancer e pesquisador da chamada “Época de Ouro” da música popular brasileira (1929 – 1945). E-mail: rmalaquias@ig.com.br


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