Policiais do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) apreenderam 454 quilos de meias, de diversos tamanhos e modelos, durante fiscalização na MS-280 em Laguna Carapã (MS), na segunda-feira (29 de abril). Um pedreiro de 19 anos, que estava com outra pessoa no veículo em que o material era transportado, disse que comprou os produtos no Paraguai e pretendia levá-los até Dourados (MS). As mercadorias foram apreendidas e levadas junto com o veículo à Receita Federal da cidade de Ponta Porã (MS).
(globo.com – Dia 30 de março de 2010).
*Francisco Pereira da Silva nasceu em Dourados, Mato Grosso do Sul. Desde os 15 anos trabalhava como pedreiro, a fim de ajudar no sustento da família. O batalhador menino, de 19 anos, morava numa casinha muito simples com o pai, a mãe e mais cinco irmãos (três meninas e dois meninos). Acordava todos os dias por volta das 5 horas da manhã para ir ao trabalho.
Há quatro anos na profissão, Francisco se destacava pela dedicação e comprometimento com o trabalho. Dificilmente chegava atrasado e não faltava. O senhor Nequinha, como era conhecido na cidade, se orgulhava muito do exemplo de funcionário que o servia. Vivia numa situação confortável. Pagava pouco e tinha um serviço qualificado e permanente.
Cansado de ver o sofrimento do filho e impossibilitado de trabalhar vítima de infarto, o senhor Pedrão questionava, sempre, seu menino sobre o salário baixíssimo que o Nequinha lhe pagava. “Sai dessa, filho. Você é um jovem exemplar. Tenho certeza que arrumará um lugar melhor para trabalhar”, dizia seu pai.
Impulsionado pelo conselho do pai, no dia seguinte, Francisco volta ao trabalho decidido a obter um reajuste salarial ou iria pedir demissão. Era tudo ou nada. A cabeça daquele jovem fervia. Sabia que não podia ficar sem o injusto salário, mas compreendia, respeitava e aceitava a orientação do pai.
Ao chegar ao serviço, Francisco conversou longamente com o seu patrão, mas de nada adiantou. Seu Nequinha tinha ficado até altas horas na casa da luz vermelha da dona Rosinha, que era namorada, amante ou esposa. Na verdade ninguém sabia que tipo de relacionamento tinha Rosinha com o Nequinha. Só os dois poderiam explicar as loucas aventuras que a vizinhança fofocava.
Pois bem, aquele dia foi péssimo para Francisco. Ouviu coisas injustas do seu Nequinha e se demitiu. Na volta ao lar, o jovem trabalhador se deparou com uma cena nada comum. Numa casa muito simples, cerca de 20 pessoas jogavam meias em cima da mesa. Muito curioso, Francisco olhava ansiosamente pela fresta da janela para entender o que estava acontecendo.
De repente ele ouviu: “Serei o vencedor desta semana. Imagine: Astrolfo, o melhor campeão de meias que Dourados já teve”. Campeão de meias? Pensa alto Francisco. “É isso mesmo, campeão de meias”, afirma Lurdinha, mais uma participante que chegava.
Em cerca de 10 minutos, Lurdinha explicou todo o processo da competição. Disse que o campeonato era fácil e qualquer pessoa podia participar. Apenas era preciso se inscrever as terças. Após isso, o participante tinha até a segunda, à noite, para ajuntar o máximo de meias que conseguisse e apresentá-las para a pesagem final, que ocorreria na próxima terça, pela manhã. Não era questionada a origem. O participante que adquirisse o maior e mais diferentes tipos de meias seria o vencedor. Além disso, levaria as demais meias dos perdedores. “Tá vendo essa balança aqui, ela é quem vai anunciar o grande campeão, enfatiza a Lurdinha”.
Entusiasmado, Francisco pergunta: “Se por acaso eu ganhar, o que irei fazer com tanta meia?”. Lurdinha responde: “Transformá-la em dinheiro. Sabe o senhor Jeremias, ele paga R$ 0,20 centavos em cada meia. O que ele faz com tanta meia eu não sei, o que sei é que dá pra tirar cerca de R$ 5.000 ou mais”.
Após ouvir atentamente Lurdinha, Chiquinho, como era chamado carinhosamente pelo pai, retorna ao lar e conta como foi a triste conversa com o seu Nequinha. Na hora, seu pai ficou aflito, mas ao mesmo tempo feliz, porque o filho se livrará daquele insano explorador.
Passaram-se duas semanas e Francisco nenhum trabalho fixo arrumou. Apenas ajudava a dona Maria da papelaria, de quarta a sexta, das 7 às 10 horas. E toda terça, pela manhã, acompanhava o que ele considerava o mais estranho campeonato que já vira: o de meias.
Certo dia, o jovem não resistiu à tentação e se inscreveu. Pagou uma taxa de R$ 20,00 e se comprometeu a apresentar dali a seis dias o maior e mais variados tipos de meias para vencer a competição.
Rapidamente, o jovem começou a visitar simples brechó da cidade, a fim de realizar minuciosa pesquisa sobre valores de meias. Seu dinheiro era reduzido, porque trabalhava apenas 9 horas semanais. Na semana que antecedeu sua inscrição, a receita de Francisco era de apenas R$ 90,00. Após tantas pesquisas, o primeiro dia se foi sem avanços.
No segundo dia, o jovem comprou 30 meias. Cada uma custou R$ 0,90 centavos. Mas Francisco não estava feliz. A mente daquele rapaz queria muitas meias e uma diferente da outra. Quando percebeu que a competição seria mais difícil do que imaginava, o desânimo e a sensação de derrotado o consumiu. “Que foi Chiquinho. Que cara de chorão é essa?”, disse o João da foice. “Nada senhor”, respondeu o menino.
O João da foice era uma rara figura de Dourados. Todos gostavam dele. Era o paizão da cidade. O nome João da foice é em razão de uma tentativa de assassinato. Certo dia, bandidos invadiram sua casa. O até então seu João Sérgio expulsou os dois armado com uma foice. Ele gritava: “Saem já daqui seus vagabundos. Meu nome é João da foice. Arranco cabeça de ladrão que rouba os pobres”.
Muito atencioso com o jovem Francisco, João diz: “Menino. Você gostaria de fazer uma viagem para o Paraguai?”. Assustado, Francisco grita: “Paraguai!?”. “Nossa menino, que susto! É que o Joãozinho, meu filho, foi para casa da vó e preciso de ajuda para comprar algumas mercadorias, enfatiza João.
Felicíssimo, o jovem diz: “Claro que eu quero. Vou falar com meu pai agora mesmo”. A felicidade de Francisco era tanta porque sabia que no Paraguai os produtos eram mais baratos. O maior e mais diferentes tipos de meias ele sabia que poderia encontrar naquele país. Com a autorização do pai, os dois seguiram viagem.
O final desta história é a matéria postada no globo.com
Policiais do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) apreenderam 454 quilos de meias, de diversos tamanhos e modelos, durante fiscalização na MS-280 em Laguna Carapã (MS), na segunda-feira (29 de abril). Um pedreiro de 19 anos, que estava com outra pessoa no veículo em que o material era transportado, disse que comprou os produtos no Paraguai e pretendia levá-los até Dourados (MS). As mercadorias foram apreendidas e levadas junto com o veículo à Receita Federal da cidade de Ponta Porã (MS). (globo.com – Dia 30 de março de 2010).
*Autor: Daniel Lucas Oliveira – daniel@gritasaopaulo.com.br
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